folheando: A Redoma de Vidro de Sylvia Plath

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“É como ver Paris de um trem expresso que avança na direção contrária – a cidade vai ficando menor a cada segundo, mas você sente que é você quem está encolhendo, ficando cada vez mais solitária, afastando-se a um milhão de quilometros por hora de todas aquelas luzes e agitação “

Assim que começamos a leitura do único romance escrito por Sylvia Plath, A Redoma de Vidro (1963), que está presente na Coleção Folha Grandes Nomes da Literatura com 239 páginas e pelo preço de 20 reais, somos apresentados à Esther Greenwood, uma jovem de 19 anos que está vivendo seus anos dourados sendo bolsista de uma universidade renomada, ganhando prêmios acadêmicos e estagiando em uma revista de moda de Nova York. Mas mesmo com todos os bens materiais que o estágio oferece, Esther se sente vazia e é em Nova York que o leitor toma conhecimento de suas crises e dúvidas sobre a sociedade, os valores morais, sua própria identidade e futuro. Não se trata de uma garota indiferente e sem interesse na vida. Talvez seja justamente o oposto que faça com que ela não esteja disposta a seguir os papéis impostos pela sociedade.

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“O silêncio me deprimia. Não era o silêncio do silêncio. Era o meu próprio silêncio”

Mas a autora, que tirou sua vida um mês após a publicação do romance, nos mostra que Esther sempre teve seus questionamentos e crises quando alterna histórias que acontecem em diferentes períodos da sua vida. É perfeitamente possível observar isso quando a personagem descobre que o rapaz por quem tinha uma admiração não era tão puro quanto ela e já tinha se envolvido intimamente com alguém. Esse seria apenas um dos dilemas que a personagem enfrenta, afinal por que a pureza da mulher é tão mais importante do que a pureza do homem? Uma herança feminista deixada em um livro dos anos 60.

a redoma de vidro 3São questões de tal importância para personagem que a privam do sono, da fome e até da leitura, que acabam deixando-a mais vazia e deprimida, e continuam mesmo quando a personagem se dá conta da sua ‘loucura’ e depois de uma crise intensa, é aconselhada a procurar um psiquiatra, logo depois é levada para uma clínica psiquíatrica onde é, eventualmente, eletrocutada.

O enredo composto pela também poetisa, Sylvia Plath nos mostra o desenvolvimento de uma doença mental de forma valente, descrevendo a tristeza de maneira singular, fazendo com que as pessoas se identifiquem com Esther. O final aberto da obra não revela se Esther deixa o hospital, e se o deixa o que acontece com ela depois. Por ser um livro com marcas autobiograficas, podemos supor que o fim de Esther tenha sido o mesmo da autora, o suícidio, ou a autora decidiu libertar Esther daquilo que ela não conseguiu. Ou, ainda, somente nós somos capazes de libertar a Esther que existe em cada um de nós da redoma, que nos aprisiona e nos sufoca.